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Ser cartomante tem seus desafios. #VidaDeCartomante - 02

Começar a trabalhar como cartomante é mergulhar em energias que nem sempre dá pra controlar. Muita gente tem medo de espíritos ou vozes, mas o meu maior medo sempre foi outro: que o que passa pela minha mesa acabe influenciando a minha vida.


Com o tempo, eu entendi que me blindar não seria uma escolha, eu devo fazer isso regularmente. E aprendi a respeitar a minha energia e não carregar o que não é meu.


Vista frontal de mesa de cartomante com cartas dispostas cuidadosamente

O medo das energias e a necessidade de proteção


Quando começo uma leitura, sinto que entro em um espaço sagrado, onde a energia de quem busca orientação se aproxima da minha. Isso pode ser desafiador, porque eu não posso deixar que essas vibrações mexam com o meu equilíbrio emocional e mental.

Por isso, eu criei formas de me proteger, pequenos cuidados que me ajudam a me manter firme na minha própria energia:


  • Limpeza energética antes e depois das leituras: uso incensos, cristais e visualizações para limpar a mesa e o ambiente.

  • Meditação rápida para centrar minha mente e criar um escudo energético.

  • Definir limites claros entre o que é meu e o que pertence ao consulente.

  • Banho energético após a semana de trabalhos, para não acumular energias que não são minhas


Esses cuidados são essenciais pra que eu consiga preservar a minha vida pessoal, mesmo lidando todos os dias com histórias intensas e emoções fortes.


O desafio da traição nas leituras


Um dos maiores desafios pra mim, como cartomante, é lidar com a traição. Na minha mesa, aparecem todos os dias histórias com amantes, pessoas comprometidas, relações escondidas… e isso pede muito cuidado.


Eu não posso deixar a minha opinião pessoal entrar na leitura. Meu papel é outro. É olhar pras cartas com verdade, interpretar com clareza e falar sem julgamento.


Se as cartas mostram algo bom sobre alguém comprometido, eu acolho e compartilho isso com quem me procurou. Se mostram algo positivo pra outra pessoa envolvida, eu também falo com a mesma honestidade. Não cabe a mim corrigir caminhos que a pessoa já sabe que não são certos, mas sim orientar com consciência.


É essa postura que me mantém firme. Que preserva a confiança de quem senta na minha mesa e me permite entregar um trabalho verdadeiro, mesmo quando o assunto é sensível.


Visão lateral de cartas de tarô sendo embaralhadas sobre uma mesa de madeira

Separando o profissional do pessoal


Mesmo mantendo a ética e a transparência nas leituras, eu ainda sou humano… e, fora da mesa, esses temas me atravessam. Às vezes termino uma consulta e me pego pensando no meu relacionamento, que é monogâmico e fechado. Vem aquela inquietação, aquele pensamento silencioso de “e se isso acontecesse comigo?”.


Também penso em quem está em casa acreditando em algo verdadeiro, sem saber que está sendo enganado. Isso me entristece. E, em alguns momentos, eu sinto dificuldade de compreender certas dinâmicas, mesmo sabendo que, ainda assim, existem limites que não deveriam ser ultrapassados.


Por isso, eu preciso me policiar. Separar o que é do trabalho e o que é da minha vida. Nem sempre é fácil, mas é um cuidado constante. Um processo de evolução, de autoconhecimento… e, acima de tudo, de proteção emocional.


Aprendizados após sete anos de prática


Já se passaram sete anos desde que comecei a trabalhar como cartomante, e esses desafios ainda fazem parte do meu caminho. Nesse tempo, eu aprendi muito sobre mim e sobre o quanto as relações humanas podem ser complexas.


Mesmo assim, lidar com tudo isso com naturalidade na minha vida pessoal ainda exige tempo, paciência e cuidado comigo.


O que me mantém firme é saber que o meu trabalho ajuda as pessoas a enxergarem com mais clareza, mesmo quando a verdade dói. A honestidade nas leituras é o que me guia, e a minha proteção energética é o que me sustenta.


Plano médio de vela acesa ao lado de cartas de tarô e cristais sobre mesa de madeira

Reflexão final


Ser cartomante vai muito além de interpretar cartas. É lidar com energias, emoções e dilemas humanos que nem sempre têm respostas simples. Aprender a proteger a minha energia e manter a ética no meu trabalho é o que me permite oferecer algo verdadeiro, com respeito.


Se você também sente o peso dessas energias ou passa por dilemas parecidos, saiba que você não está sozinho. Esse caminho pede autoconhecimento, presença e cuidado constante. Ser honesto com você mesmo e com quem busca sua orientação faz toda a diferença.


E também não posso deixar de mencionar que se você está lendo até aqui e tem um relacionamento extraconjugal e agora está com medo de ser atendido(a) por mim, saiba que eu jamais vou te julgar pelas suas escolhas, esse é um desafio que eu carrego apenas comigo e estou fazendo essa postagem em forma de desabafo e compartilhando, que, apesar de ser um cartomante há muitos anos, eu ainda tenho dificuldades em lidar com um certo tipo de assunto, até para me aproximar mais de vocês, pois eu não sou um mestre iluminado, eu sou apenas um ser humano que tem suas limitações.


E eu trato essas questões em terapia, pois pasmem, eu também faço terapia e também faço leituras pra mim mesmo. Eu sou um ser humano igual a você, e de forma alguma eu estou aqui para te afastar de mim. Me encare como um amigo, que vai te acolher, te dar as orientações e conselhos, mas também vou tocar na ferida, eu também vou puxar a sua orelha quando precisar, pois quem ama não é apenas um bajulador. Quem ama quer ver o outro feliz e evoluindo.


Se quiser dividir suas experiências ou dúvidas, pode deixar aqui. A gente cresce junto, com troca, verdade e consciência e transparência.


 
 
 

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